sábado, 28 de dezembro de 2013

Guardiã



Ah... lembro daquele dia que vi meu reflexo no cristal

Comecei a mergulhar entre o mundo real e o imaginário

Mas um olhar fixo e confiante me fez estar 

O sonho de nós imortais é desvendar: “Quem somos?”

A resposta talvez seja o veneno que paralisa a humanidade

Mas meio a esses inúteis porquês existem os úteis para quês

Talvez sem saber minha guardiã me deu a resposta

Palavras duras às vezes silenciam minha voz que precisa calar

Parece-me que a insensibilidade chega, mas...

A vida é movimento, os antônimos das palavras são preciosos

Assim, no outro dia seu aconchegante abraço me protege

Um dia desses eu lembrei: “Não tive fada madrinha quando criança”...

Tive e tenho a heroína “Lúcia”, minha mãe, uma Luz como a luz de seu nome, 

No meu passado e presente é a “Super Mulher Maravilha”

Quanto ao inusitado conto de fadas... minha fada chegou atrasada?

Sim e/ou não, sei que acasos são para aqueles inertes no eu

A guardiã chegou e me trouxe uma rosa com espinhos

Ensinou-me a perceber os dois lados da mesma moeda 

No dicionário ela está... “Waleska” que significa: Soberana, Gloriosa

Encontrei um dicionário velho que foi escrito por mim, ele diz:

“Seu nome significa “Guardiã”, que caminha comigo e com tantos outros que andam sozinhos até encontrar um jardim que possam descansar, até encontrar o seu colo acolhedor.”


Dedicatória: terapeuta amiga


Imagem retirada do Google

Dialogando com o Senhor Suicídio




És tu... criatura egoísta e maliciosa que chegas para me iludir

Prometes tudo, inclusive a paz que tanto busco

Queres me levar contigo por um caminho ignorado 

Ah... como tu és fascinante com tua voz sussurrante!


Serás tu um bom anjo ou um demônio?

Devagarinho toma conta de todo o meu ser

E eu por vezes me deixo levar por tuas promessas de cura

Por que me envolves dessa forma tão surpreendente?


Minha vida oscila como as ondas de uma praia deserta

Sinto-me às vezes invencível frente às tribulações do tempo

Outrora... me sinto como um bicho acuado e sem ter pra onde ir

Nessas horas tu me diz: “segura a minha mão e vamos ser felizes...”



Um convite que poder ser aceito ou não, eu me pego a refletir...

Tu não tens face, por que te escondes? Foges de alguma coisa?

Percebo então que queres me enganar, pois tens medo que eu te veja

Fixo-me frente ao sábio espelho que me protege da tua obscuridade

As ondas do mar oscilam, mas nem por isso deixam de ser um espetáculo

A vida é um grande concerto, que hora tende é ser revelada por meio de instrumentos desafinados

Mas o que seria de mim sem as melodias que me faz dormir?

Ouço, viajo, penso, transformo...


E quanto a ti?... Rosto desconhecido que quis me levar

Sei agora que me caroneia, pois não suporta que eu olhe em teus olhos

Viajarei um dia... e não será nos teus braços sedutores e aparentes

Dormirei, acordarei e serei acolhida nos braços do Amor.



Imagem retirada do Google

Insensata Busca




Busco a ti, viajante de mundos esquecidos

Contemplo o teu gesto solidário com aqueles bichinhos indefesos

Vigio sua lágrima que cai quando ver...

Ver uma criancinha sorrindo nos braços dos seus pais


Abisma-me quando vai ao encontro daqueles velhinhos enclausurados e os abraça

Quantas vezes demoras, então penso: “Te encontras agasalhando os moços esquecidos”

E as insanidades que já fizera! Arriscaste interromper tua caminhada terrena

Mas tua generosidade me faz esquecer as consequências de teus atos


Amo-te, amo-te! Sonho contigo ao meu lado... aí caminhamos juntos sobre ruínas

Unidos levantamos templos de sonhos e esperanças

Mas mesmo amando-te tanto... por que não consigo tocar em ti?

Sonho com o irreal, será se me deito em um colo inexistente?


Onde serás que te encontro? Meu anjo e poeta perdido

Tu aprecias tanto ouvir a canção: “Eu sei que vou te amar” de Tom

E a poesia de Quintana que desperta teu alto suspiro!

Quantas vezes ouvimos e mergulhamos na suave música de Sibéllius?


Chegarás ainda a mim e me dirás: amo você, sua genitora, a cadelinha estimada e o mundo que te recebeu

Sei que o campo é teu lugar de descanso e meditação, sob os amontoados pontos iluminados

Ah... busquei tanto tempo teus braços e, agora sei quem tu és


És ilusão, só existes quando olho meu rosto frente ao empoeirado espelho.

Imagem retirada do Google

Ser ou ter?




Alegria! Respeito! Responsabilidade! Ética! Quanto valeis vós?

Nem mesmo números há para dar sentido a vocês diante da indiferença deles

Não digo que não há aqueles que vislumbrem o exercício de vós, mas são raros

Os olhos observadores do astucioso capitalismo às vezes aprisionam todos os “míseros-intelectos” cidadãos


Vejam! A esperança de meninos sobreviventes ainda perseveram e gritam:

Viva a paz e o amor, viva os tantos mártires que partiram e não desistiram do sonho

Viva os poucos heróis que não tem ouro e nem prata, mas são humanizados

Meu Deus ! Por que é tão difícil navegar com esses sábios meio a tantos predadores?


Não tenho o que querem, apenas sou um sonhador convicto de crer em minorias

Sofro, me perco no labirinto da ignorância de mestres, caio no poço de chão duvidoso encoberto por tapete de luxo

Será se é tempo de desistir? Será se as feras da peste contemporânea são invencíveis?

Quantas perguntas sem respostas me amedrontam e me fazem silenciar por longas horas


Mas ainda há um pulsar dentro do meu ser que não tem..., que apenas é...

A energia que perdi por teus atos brutais me sonda e me diz que vai retornar

Quero me reerguer dos perversos rituais de tuas ambiciosas mãos que tentaram contra mim

Não buscarei ter, mas lutarei como os velhos mártires para preservar o ser humano que resiste dentro de mim.








Imagens retiradas do Google

Esquecido Palco




Velhos tempos, templos velhos e amarrotados

Onde anda teu vigor de antigamente que tantos galanteios recebia?

Tantas palavras ditas e não ditas foram levadas pelo vento

E tua menina, que escutava tua serenata debruçada à janela?


Amavas, sorrias, te angustiavas, mas seguias... tinhas esperança

A vida te trazia sonhos que por vezes te levava à inquietação

Lutavas para tornar a matéria prima uma obra de valor supremo

E teu corpo cansado se refugiava em casa, no lar, no seguro porto


Trabalhavas todos os dias, o amanhã exigia esforço e lealdade

Ao anoitecer, sabias que tinha o riso da eterna donzela no reflexo de teus olhos

Tudo passa, tudo foge de mãos cansadas 

Os risos se transformaram em saudade e saudade...


Agora estás aí, sozinho a contemplar o ilusório quadro na parede

Onde todos foram parar? Esqueceram de ti?

Pobres meninos que te deixaram, esqueceram que são posteriormente sósias te ti 

Rugas cobrem o teu rosto triste, enquanto eles aplaudem a beleza de segundos


Velhos tempos, templos velhos e esquecidos

É curioso saber que é preciso ser um andarilho que percorre caminhos incertos

Um segundo e um século podem tornar-se únicos


Agora és um velho esquecido, e nós, jovens temporários e inebriados, qual será mesmo o nosso futuro?


Imagem retirada do Google