sábado, 28 de dezembro de 2013

Esquecido Palco




Velhos tempos, templos velhos e amarrotados

Onde anda teu vigor de antigamente que tantos galanteios recebia?

Tantas palavras ditas e não ditas foram levadas pelo vento

E tua menina, que escutava tua serenata debruçada à janela?


Amavas, sorrias, te angustiavas, mas seguias... tinhas esperança

A vida te trazia sonhos que por vezes te levava à inquietação

Lutavas para tornar a matéria prima uma obra de valor supremo

E teu corpo cansado se refugiava em casa, no lar, no seguro porto


Trabalhavas todos os dias, o amanhã exigia esforço e lealdade

Ao anoitecer, sabias que tinha o riso da eterna donzela no reflexo de teus olhos

Tudo passa, tudo foge de mãos cansadas 

Os risos se transformaram em saudade e saudade...


Agora estás aí, sozinho a contemplar o ilusório quadro na parede

Onde todos foram parar? Esqueceram de ti?

Pobres meninos que te deixaram, esqueceram que são posteriormente sósias te ti 

Rugas cobrem o teu rosto triste, enquanto eles aplaudem a beleza de segundos


Velhos tempos, templos velhos e esquecidos

É curioso saber que é preciso ser um andarilho que percorre caminhos incertos

Um segundo e um século podem tornar-se únicos


Agora és um velho esquecido, e nós, jovens temporários e inebriados, qual será mesmo o nosso futuro?


Imagem retirada do Google

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