quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Sentir sem sentido





Será se estou fugindo de mim?
Encontro-me cansada e indo ao encontro do nada
Já não sei o que busco e nem o que penso
Será se estou me distanciando do meu “eu” ou tentando encontra-lo?
O aperto na minha alma grita por uma resposta
Uma única resposta queria encontrar
Não sei explicar o que sinto, mas sei que sinto
O que está acontecendo com meus ideais?
O que está acontecendo com minha sanidade terrena?
Será se existe a cura para um sentir sem sentido?
Sempre procurei respostas para aquilo que não tem respostas
E agora estou querendo respostas para calar não sei o quê.

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Sapatinhos brancos




Quis te trazer para perto de mim e te dar o nome dela,
Daquela que ainda consegue despertar a contemplação de homens e mulheres em fugazes eras
Daquela que inspira paixões intensas entre os enamorados, os amantes transportados em medievais máquinas do tempo
E você não veio prateada e sim negra, calçada com sapatinhos brancos
E foi engraçado a sua vinda, pois meio a empolgação surgiu uma dúvida: ele ou ela?
Os anos passaram, cuidamos de ti e tu por outro lado, passou a ser uma leal cuidadora de tua melhor amiga, minha mãe
Cresceu tão rápido e ficou tão grande, que despertou medo nas pessoas, que insistiam em duvidar da tua docilidade
Meu irmão chegou a te apelidar de uma famosa atriz ..., por teu porte desengonçado, por teu tamanho “família”
“Zuadenta”, pois é, irritava tanto nossos ouvidos, mas logo voltava tua postura de boa “moça”
E a campainha nem se fala, já sabíamos que algum penetra ou convidado estava a nossa procura, devido teus sucessivos barulhos alvoroçados
Anos e anos vieram, passaram e, você aqui, minha “grandalhona”
Talvez agora estejas fazendo companhia aquela que fiz questão de homenagear com teu nome: “LUA”
 Agora te encontras... não sei, mas sinto sua suavidade e firmeza próximas a linha tênue que nos distanciam
 O eco da minha saudade e gratidão talvez lhe alcance, talvez lhe acaricie, talvez sussurre aos seus ouvidos: obrigada!

Dedicatória: Lua, nossa cadelinha. à qual eu minha mãe somos gratas, pela enriquecedora companhia por longos 9  anos.

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Angústias sob o divã






Sonhos almejados e alcançados, esforços que me proporcionam instantes de invencibilidade
 Ouço e falo, movimentos ora convictos, ora fingidos, ora silenciados
 Será mesmo que estamos imunes a dilacerada dor degenerativa?
Há grandes homens e mulheres resistentes às contrariedades imprevistas?
A complexidade do “homo sapiens” grita que não há fórmulas comuns e absolutas para as hemorragias internas de alma
 Pode ser que os gritos sejam escutados e acalentados e eu escolha acompanhar e me aprisionar na teoria da solução, da aparente salvação
E se eu não quiser falar? E se ninguém quer me ouvir? Vou sentar no banco dos réus e ser condenada ao “inferno” dos corajosos ou covardes por fugir do caos?
Provável seja que remamos em dois sentidos, ora contra, ora a favor da maré
Somos seres desconhecidos de um “eu” que insiste em apostar em verdades públicas, que podem ser confundidas com as privadas realidades
Eu choro, você chora, e se o aguardado “nós” não entrar em cena?
Precisamos ver que existe o “nosso”, mas por que ser indiferente o “meu”?
Posso seguir ... mesmo sem garantias de respostas, até por que o que há são possibilidades
Posso ter aprendido a tocar a harpa celestial e de repente ser acometida pela lepra que me impede de me igualar aos anjos, mesmo me vestindo com vestes brancas curadoras
A unicidade do Ser deve ser acariciada por meio de mãos que seguram sem apertar, estar contigo pode ser belo desafio
O nascer e o morrer são enigmáticos contos próximos e extremos, caminhos escorregadios da nossa ignorante sabedoria...
Não me queiram nenhum mal, sei que a vida tem belas paisagens para serem desvendadas e confesso que, se a máquina do tempo me permitisse voltar... talvez eu tiraria toda a poeira da janela para me entorpecer na beleza do abstrato das artes naturais.

Escrito produzido logo após ler a notícia referente ao suicídio de uma profissional da saúde.

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Introspecção






Talvez eu queira fugir do mundo

Talvez eu não queira tua dedicação

Talvez eu queira te culpar por minha dor

Talvez eu não queira perceber que me quer bem

Talvez eu provoque teu distanciamento de mim

Talvez eu não aceite a necessidade da sala escura

Talvez eu não conceba a ideia dos holocaustos

Talvez eu condene a mim a um viver só

Talvez... conquistando minha solidão eu seja forte

Talvez sozinha eu consiga alcançar o silêncio do infinito.

A certeza que me acompanha é ser grata por persistir em me querer perto de ti.

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