quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Angústias sob o divã






Sonhos almejados e alcançados, esforços que me proporcionam instantes de invencibilidade
 Ouço e falo, movimentos ora convictos, ora fingidos, ora silenciados
 Será mesmo que estamos imunes a dilacerada dor degenerativa?
Há grandes homens e mulheres resistentes às contrariedades imprevistas?
A complexidade do “homo sapiens” grita que não há fórmulas comuns e absolutas para as hemorragias internas de alma
 Pode ser que os gritos sejam escutados e acalentados e eu escolha acompanhar e me aprisionar na teoria da solução, da aparente salvação
E se eu não quiser falar? E se ninguém quer me ouvir? Vou sentar no banco dos réus e ser condenada ao “inferno” dos corajosos ou covardes por fugir do caos?
Provável seja que remamos em dois sentidos, ora contra, ora a favor da maré
Somos seres desconhecidos de um “eu” que insiste em apostar em verdades públicas, que podem ser confundidas com as privadas realidades
Eu choro, você chora, e se o aguardado “nós” não entrar em cena?
Precisamos ver que existe o “nosso”, mas por que ser indiferente o “meu”?
Posso seguir ... mesmo sem garantias de respostas, até por que o que há são possibilidades
Posso ter aprendido a tocar a harpa celestial e de repente ser acometida pela lepra que me impede de me igualar aos anjos, mesmo me vestindo com vestes brancas curadoras
A unicidade do Ser deve ser acariciada por meio de mãos que seguram sem apertar, estar contigo pode ser belo desafio
O nascer e o morrer são enigmáticos contos próximos e extremos, caminhos escorregadios da nossa ignorante sabedoria...
Não me queiram nenhum mal, sei que a vida tem belas paisagens para serem desvendadas e confesso que, se a máquina do tempo me permitisse voltar... talvez eu tiraria toda a poeira da janela para me entorpecer na beleza do abstrato das artes naturais.

Escrito produzido logo após ler a notícia referente ao suicídio de uma profissional da saúde.

Imagens Retirada da Internet

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